1.ª e 3.ª Páginas
2005, O ANO EM QUE SE "REVOLUCIONOU" A SAÚDE EM VILA DO CONDE
CENTRO DE ATENDIMENTO PERMANENTE – URGÊNCIA 24H/DIA
O início de 2005 ficou marcado pela inauguração da Unidade de Saúde da Santa Casa da Misericórdia de Vila do Conde. Na continuidade de um exercício de anos na promoção da Solidariedade Social, lutando contra as barreiras e dificuldades que se colocam ao apoio aos mais necessitados, a SMVC colocou à disposição dos vilacondenses um conjunto de serviços de saúde diferenciados e complementares, agregados num mesmo edifício.
Segundo o Provedor Arlindo Maia, “apesar de ter sido inaugurada, em 1991, a Clínica de Medicina Física e de Reabilitação da instituição, o passo mais significativo na oferta de um leque alargado de serviços foi dado, efectivamente, com inauguração do Edifício da Unidade de Saúde, em 2005”.
Entre as valências da Unidade de Saúde da SCMVC encontram-se os EXAMES DE DIAGNÓSTICO MÉDICO - que abrangem actualmente a área de RADIOLOGIA, CARDIOLOGIA e GASTRENTEROLOGIA – e os CUIDADOS CONTINUADOS INTEGRADOS. Integrados no leque de serviços disponibilizados pela SCMVC na sequência de um protocolo elaborado com o Ministério da Saúde e Ministério da Segurança Social e do Trabalho, esta unidade conta já com 25 camas, para cuidados de média duração e 15 para um acompanhamento de longa duração e manutenção. Proporciona ainda aos utentes CUIDADOS MÉDICOS E DE ENFERMAGEM 24H/DIA, assim como tratamentos assistência nos domínios da FISIOTERAPIA, TERAPIA DA FALA, ACOMPANHAMENTO PSICOSSOCIAL, entre outros.
Nesse mesmo edifício, uma unidade de CIRURGIA E INTERNAMENTO, com uma amplitude de 14 especialidades médicas, e com capacidade para cerca de 38 camas, apresenta-se também como uma mais-valia da recém-criada Unidade. Com efeito, DUAS SALAS DE BLOCO OPERATÓRIO, UMA SALA DE PEQUENAS CIRURGIAS E DUAS SALAS DE RECOBRO, permitem dar uma resposta célere às necessidades dos utentes e, fruto do protocolo celebrado entre a SCMVC e a ARS Norte no âmbito SIGIC (Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia), contribuir simultaneamente para a redução das listas de espera do Serviço Nacional de Saúde.
Adicionalmente, a Unidade de Saúde da SCMVC possibilita ainda a realização de CONSULTAS DE 25 ESPECIALIDADES MÉDICAS. Um serviço complementado por um CENTRO DE ATENDIMENTO PERMANENTE, que assegura ininterruptamente consultas de Clínica Geral.
Prevê-se em breve colocar em funcionamento o LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS cuja instalação está concluída e dispõe, para o efeito equipamentos de tecnologia de ponta.
Mas é só ao nível das infra-estruturas e do equipamento técnico especializado que esta Unidade de Saúde se pode distinguir entre as pares. Com efeito, como afirma o Provedor da SCMVC, “é primordial que nos recursos humanos da instituição esteja enraizado o espírito de solidariedade”. “Só na combinação destas características com conhecimentos técnico-profissionais sólidos podemos assegurar a prestação de serviços por profissionais que respondem aos critérios de exigência e qualidade pelos quais se rege a SMVC”, conclui.

50.º ANIVERSÁRIO DO AGRUPAMENTO DE ESCUTEIROS DA JUNQUEIRA
Notícia da edição online do Correio Junqueira e que pode consultar no arquivo.
2.ª, 4.ª e 5.ª Páginas
Notícias que foram notícia em www.correiodajunqueira.pt.vc
6.ª Página
Falecimentos
7.ª Página
CRISE DE VALORES
CONTRASTES
Adelina Piloto
Como estamos na quadra da Quaresma e já há no ar cheirinho às amêndoas e aos ovos de chocolate da Páscoa, para não falar do delicioso pão-de-ló e do tradicional pão doce, iguarias praticamente irresistíveis para todos e, de modo especial para a pequenada, é importante que ninguém se esqueça que a moderação é uma virtude que deve ser cultivada com regularidade, quer se trate de guloseimas ou da maneira de ser e estar na vida. Infelizmente, o equilíbrio, a ponderação, a harmonia andam muito esquecidas no nosso mundo cada vez mais dominado pelos excessos, pelas crises, pelo radicalismo e prepotência na política, na moda, nas relações amorosas, nos contratos de trabalho e mesmo à mesa. Enquanto uma parte da população mundial passa fome a outra metade come em demasia, esbanja e estraga de uma forma desumana, inconsciente e irresponsável.
Guerra, fome, miséria, doença, ódios étnicos, sobrepopulação, seca, contaminação, ditaduras assassinas e democracias pervertidas são alguns dos epítetos que costumam caracterizar o velho continente africano. Mais de 500 milhões de pessoas sofrem de subnutrição crónica. Mais de 10 milhões de crianças com menos de 5 anos morrem todos os anos de infecções associadas à fome ou à subnutrição. São estatísticas dramáticas que nos devem fazer reflectir, mas lamentavelmente vivemos num mundo dominado pelo egoísmo e por contrastes gritantes.
Sabia que o número de consultas de obesidade pediátrica está a aumentar em Portugal e 61% das crianças que vão a essas consultas têm menos de 10 anos. A obesidade é já considerada uma das epidemias do século XXI e não pára de alastrar. Um estudo indica que 21% das crianças avaliadas têm excesso de peso e 9,5% são obesas. São os alunos do 1º ciclo os que apresentam um maior índice de gordura corporal. O estudo revela ainda que 49% das crianças com excesso de peso ou obesas tem joelho valgo (uma deformidade ortopédica que se caracteriza pelos joelhos curvados para dentro); 25% são insulino-resistentes e 18% sofrem de esteatose hepática (acumulação de gordura no fígado).
O pior de tudo isto é que os pais não estão atentos ao excesso de peso dos seus filhos, nem têm consciência da gravidade da situação, das complicações que pode acarretar em termos de saúde. Em consultas de rotina, é o médico de família quem identifica a situação. Em muitos casos, os pais menosprezam o problema e raramente respondem positivamente às recomendações feitas pelo seu médico e isto porque, lamentavelmente, em Portugal nunca houve uma real preocupação com a formação das pessoas como consumidores e utilizadores, isto é, nunca se pensou numa formação para a plena cidadania. Durante anos o nível de vida da maior parte dos portugueses melhorou, por vezes de forma fictícia, através da multiplicação dos cartões de crédito, fruto de uma política financeira agressiva, que incentivava as famílias a comprar e gastar desalmadamente, muito acima das suas reais possibilidades.
Consequência, o endividamento progressivo de muitas famílias, que agora em face da crise estão como se costuma dizer com a corda ao pescoço. Mas, em ano eleitoralista já o Governo se apressou com algumas medidas de charme para adiar a resolução desse problema, o que significa que vai usar o dinheiro dos contribuintes para pagar os juros dos endividados, que no tempo das vacas gordas empanturravam-se de mariscada, compraram o carro de alta cilindrada e fizeram férias nas Caraíbas etc, em vez de fazerem como a formiga, trabalhar e poupar para os momentos de penúria. Mas eles é que são espertos! O Estado providencialista com estas estratégias e outras medidas como o rendimento mínimo garantido está a apostar fortemente no parasitismo e irresponsabilidade de uma grande fatia da sociedade. Algo de semelhante se passa com o choque tecnológico que o Governo está a implementar, distribuindo gratuitamente portáteis a grande número de alunos, na sua maioria maus alunos, sem hábitos de trabalho (trabalhar para quê se têm o exemplo dos pais que vivem sem nada fazer, graças ao rendimento garantido).
Digam-me a oferta deste equipamento informático, ferramenta de grande valia, se bem utilizada, reconheço, foi acompanhada da formação adequada para o seu uso? Alguém os alertou para os perigos da Internet, onde entre outros aspectos muitas crianças são vítimas de assédio sexual? Claro que não, investe-se no facilitismo das novas oportunidades e no desleixo, deixa correr, no final logo se vê. E já outros países mais avançados recuaram nesta estratégia de uso desenfreado das novas tecnologias da informação e comunicação, devido aos efeitos nefastos que estava sortir nos mais jovens, mas em Portugal temos a mania de implementar aquilo que já está ultrapassado nos países mais vanguardistas. Marx dizia que a religião era o ópio do povo, eu penso que na actualidade o verdadeiro ópio é a ignorância que se aposta em manter, pois em terra de cegos quem tem um olho é rei.
HISTÓRIAS DE VILA DO CONDE E SEU ARO
CRENDICES
Adelina Piloto
A crendice, superstição, magia e bruxaria sempre estiveram muito arreigadas no espírito das pessoas. Talvez mais no passado do que na actualidade, embora tal realidade permaneça bem viva, visto que ainda há pessoas que antes ou em vez de irem ao médico vão à bruxa. Sintomático da crendice nas coisas do além está o tempo de antena na televisão que é dado aos espíritas, tarólogos, advinhos etc, para já não falar do estrondoso êxito da britânica J. K. Rowlling com o Harry Potter e toda a série de filmes baseados nos seus livros, que a tornaram uma das mulheres mais famosas e ricas no mundo, uma autêntica magia de marketing dos tempos modernos. Mas, vem tudo isto a propósito de um caso rocambolesco que se passou no nosso concelho. Vejamos: na segunda metade do século XIX, numa freguesia do concelho de Vila do Conde, que não interessa estar agora a especificar para não melindrar ninguém, uma mulher dizia que tinha o corpo aberto. Ter o corpo aberto em termos de espírita significa ser uma espécie de hospedaria para alojar as almas do outro mundo. Bem, essa mulher recebia uma por uma as almas dos defuntos da terra e das redondezas e desse expediente vivia ela e o marido uma rica vida, embora dissesse que nada cobrava da poisada que dava às almas. Servia-se do conluio da Igreja para mandar os familiares rezar missas e dar esmolas e se estes não cumprissem o que lhes era mandado a alma era degredada sem uma rasa de painço. Painço é um milho-miúdo excelente para pássaros. Voltando à historieta, se a família concordasse com o que a espírita ordenava, esta murava um pedaço de terreno longe das casas e aí colocava a alma e uma rasa de painço, para a alma tirar um grão cada ano e enquanto durasse o milho todos podiam viver em paz. O administrador do concelho alertado para esta situação insólita intimou o casal e depois de lhes pregar um grande sermão a propósito de andarem a aproveitar-se da ignorância e crendice do povo, em tom impaciente e irónico disse-lhes: “saibam que eu não dou licença às almas do outro mundo para morarem no meu concelho, mas se teimam em as acolher, a partir de agora vão ter de pagar os devidos direitos por cada alma que hospedarem”. Foi remédio santo! No passado como no presente ninguém gosta de pagar impostos.
8.ª Página
A COROA DA VIRGEM NA BANDEIRA DA EUROPA
Esta Europa, que incompreensivelmente renega raízes cristãs e pretende apresentar-se ao mundo como laica, adoptou, sem saber, na sua bandeira, símbolos cristãos; melhor: de inspiração mariana.
Os que conhecem a história do povo europeu sabem que nada há que os una: língua, costumes, tradições, divergem, e o passado remoto encontra-se carregado de ódios e atrozes aleivosias. Apenas a crença os pode ligar: todos se declaram cristãos.
Mas a teima de serem ou parecerem laicos, leva-os ao apartamento de qualquer símbolo religioso. Cristo não tem cabimento, segundo parecer de quem manda no velho continente, ainda que o povo – apesar do esforço do poder, - mantenha-se fiel à Fé.
Quando a 29 de Maio de 1986, o Secretário Geral do Conselho da Europa, Marcelo Oreja, hasteou a bandeira, no palácio de Berlamont, estava longe de imaginar que a divisa da Europa estava imbuída de símbolos católicos.
Na época, poucos conheciam a razão das doze estrelas sobre fundo azul.
Anos depois, quando já não era possível recuar, foi explicado o verdadeiro significado.
“Lourdes Magazine”revista publicada pelo Santuário de Lurdes, em Julho de 2004, revelou o que há muito constava.
A bandeira foi inspirada na visão de Catarina Labouré, jovem noviça.
Foi a 27 de Novembro de 1830. Estava Catarina na capela das Irmãs da Caridade, na Rua do Bac, em Paris e, aparecendo-lhe a Virgem, disse-lhe que mandasse cunhar medalha, a que chamou de Milagrosa.
Esta, apresenta Maria com os pés pousados no mundo e no verso, o monograma da Mãe de Jesus, a cruz e dois corações, tudo circundado por 12 estrelas que é a coroa da Virgem.
Ora quando Arséme Heitz idealizou a bandeira, inspirou-se nessa visão. Segundo o autor, o azul representa o céu e as 12 estrelas, o resplendor que cerca a cabeça da Imaculada Conceição.
Se os “agnósticos” europeus fossem mais versados em temas bíblicos, não desconheceriam, igualmente, que o Apocalipse 12:1, descreve mulher resplandecente como Sol, coroada de 12 estrelas. Nem ignorariam que 12 foram os filhos de Jacob; 12 são as tribos de Israel: e 12 são os Apóstolos.
Mas como desconheciam a simbologia bíblica, e ainda menos a visão de Santa Catarina de Labouré – ou Deus os cegou, - pensaram que o número 12 era sinal de : perfeição, plenitude e unidade; lembrando-se dos 12 meses do ano e dos 12 signos de Zodíaco.
E a 8 de Dezembro de 1955 – que coincidência! – aprovaram a bandeira que tem estampado, sobre azul celeste, o símbolo da pureza da Imaculada Conceição.
Por onde se conclui que, renegando raízes cristãs, a Europa mostra, na divisa, a coroa da Virgem Santíssima.
Deste jeito se infere que o povo tem razão ao afirmar: Deus escreve direito por linhas tortas.
( Com a devida vénia a Humberto Pinho da Silva, in “A Ordem”, de 11 de Outubro de 2007)
